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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Peça que ironiza racismo abre Cena Contemporânea; veja impressão do público


Espetáculo sul-africano 'Black off' abriu 18ª edição do festival internacional de teatro. Atriz negra interpreta mulher branca e ironiza racismo de forma grotesca; peça será exibida em Ceilândia e Gama.

Por Luiza Garonce, G1 DF


Peça "Black off" interpretada pela atriz sul-africana Ntando Cele durante a 18º edição do Cena Contemporânea, em Brasília (Foto: Luiza Garonce/G1)

Pintada de branco, com uma peruca loira e lentes azuis, a atriz sul-africana Ntando Cele estrelou na abertura da 18ª edição do Cena Contemporânea, em Brasília, na noite desta terça-feira (22). A atriz, negra, interpreta uma mulher branca que incorpora as múltiplas faces do preconceito racial.


A peça "Black off", da companhia de teatro Manaka Empowerment foi a primeira a se apresentar no festival (veja impressões do público ao final da reportagem). O espetáculo ainda será exibido nesta quarta (23) e quinta (24), às 21h no Teatro da Caixa, no sábado (25), em Ceilândia, e no domingo (26), no Gama.

No palco, o alter ego branco da atriz, Bianca White, é a expressão grotesca da naturalização do racismo – explorada durante todo o primeiro ato da peça. Por meio da personagem, Ntando revela de forma ridicularizada alguns clichês sobre os negros e ironiza comportamentos de "gente branca".

Bianca White exalta egocentrismo, futilidade e demonstra desinformação sobre quase tudo o que fala. Neste ponto, reside a crítica de que a sociedade ignora a falta de conteúdo quando está por trás de uma pele branca.

"O racismo é mais ou menos igual em qualquer lugar, por isso o show pode vir da Suíça para cá", diz Ntando.

O espetáculo mistura teatro, música e audiovisual em uma sequência de cenas que se comunicam de forma descontraída. A relação entre Ntando, os três músicos que fazem a trilha sonora e o público ocorre de forma natural, não ensaiada.

Ironia ácida

O discurso pedante de Bianca White, que aparece intercalado por expressões de falsa modéstia e compaixão, revela de forma sutil e cômica esteriótipos negros difundidos pelo "mundo branco ocidental", sobre cor da pele, comportamento, habilidades e heranças genéticas, explica o grupo.


A personagem expõe o racismo ao ridículo quando convida uma mulher negra da plateia a fazer uma sessão de meditação em que é conduzida a se concentrar em coisas brancas para alcançar o relaxamento

“Pense em todas as coisas brancas que há em você, seus ossos, seus dentes… Sente-se melhor?”


Bianca White também diz que os negros não entendem a “arte complicada” e, ao longo da apresentação, interrompe a própria fala para fazer o que seria essa arte refinada, de difícil compreensão.

" Respeita As Mina" por Kell Smith






Respeita As Mina

Kell Smith


Short, esmalte, saia, mini blusa, brinco, bota de camurça, e o batom? Tá combinando!

Uma deusa, louca, feiticeira, alma de guerreira

Sabe que sabe e já chega sambando

Calça o tênizin, se tiver afim, toda toda Swag, do hip hop ao reggae

Não faço pra buscar aprovação alheia

Se fosse pra te agradar a coisa tava feia

Então mais atenção, com a sua opinião

Quem entendeu levanta a mão


Respeita as mina

Toda essa produção não se limita a você

Já passou da hora de aprender

Que o corpo é nosso, nossas regras, nosso direito de ser

Respeita as mina

Toda essa produção não se limita a você

Já passou da hora de aprender

Que o corpo é nosso, nossas regras, nosso direito de ser


Sim respeito é bom, bom

Flores também são

Mas não quando são dadas só no dia 08/03

Comemoração não é bem a questão

Dá uma segurada e aprende outra vez

Saio e gasto um dim, sou feliz assim

Me viro, ganho menos e não perco um rolezin

Cê fica em choque por saber que eu não sou submissa

E quando eu tenho voz cê grita: "ah lá a feminista!"

Não aguenta pressão, arruma confusão

Para que tá feio, irmão!


Respeita as mina

Toda essa produção não se limita a você

Já passou da hora de aprender

Que o corpo é nosso, nossas regras, nosso direito de ser

Respeita as mina

Toda essa produção não se limita a você

Já passou da hora de aprender

Que o corpo é nosso nossas regras, nosso direito de ser

Não leva na maldade não, não lutamos por inversão

Igualdade é o "X" da questão, então aumenta o som!

Em nome das Marias, Quitérias, da Penha Silva

Empoderadas, revolucionárias, ativistas

Deixem nossas meninas serem super heroínas

Pra que nasça uma Joana d'Arc por dia!

Como diria Frida: "eu não me Kahlo!"

Junto com o bonde saio pra luta e não me abalo

O grito antes preso na garganta já não me consome: é pra acabar com o machismo, e não pra aniquilar os homens

Quero andar sozinha, porque a escolha é minha

Sem ser desrespeitada e assediada a cada esquina

Que possa soar bem

Correr como uma menina

Jogar como uma menina

Dirigir como menina

Ter a força de uma menina

Se não for por mim, mude por sua mãe ou filha!


Respeita as mina

Toda essa produção não se limita a você

Já passou da hora de aprender

Que o corpo é nosso, nossas regras, nosso direito de ser

Respeita as mina

Toda essa produção não se limita a você

Já passou da hora de aprender

Que o corpo é nosso, nossas regras, nosso direito de ser

Mais de 500 mulheres são vítimas de agressão física a cada hora no Brasil, aponta Datafolha


Pesquisa mostra que 9% das brasileiras relatam ter levado chutes, batidas ou empurrões no ano passado; índice sobe para 29% se forem contabilizadas as que sofreram agressões verbais. No entanto, 52% delas afirmam não ter feito nada após os atos.




Dados de violência contra a mulher (Foto: Arte/G1)



Pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgada nesta quarta (8), Dia Internacional da Mulher, mostra que, no ano passado, 503 mulheres foram vítimas de agressão física a cada hora no país. Isso representa 4,4 milhões de brasileiras (9% do total das maiores de 16 anos). Se forem contabilizadas as agressões verbais, o índice de mulheres que se dizem vítimas de algum tipo de agressão em 2016 sobe para 29%.


A pesquisa mostra que 9% das entrevistadas relatam ter levado chutes, empurrões ou batidas; 10% dizem ter sofrido ameaças de apanhar.


Além disso, 22% afirmam ter recebido insultos e xingamentos ou terem sido alvo de humilhações (12 milhões) e 10% (5 milhões) ter sofrido ameaça de violência física. Há ainda casos relatados mais graves, como ameaças com facas ou armas de fogo (4%), lesão por algum objetivo atirado (4%) e espancamento ou tentativa de estrangulamento (3%).


Em novembro de 2016, uma dona de casa de 53 anos morreu na Santa Casa de Araçatuba, interior de São Paulo, após ter sido espancada pelo marido, segundo a polícia.


Roseli Lopes vivia havia quatro anos com o suspeito e, segundo informações de familiares à polícia, ela sempre apanhava dele. Segundo os familiares, Roseli tinha medo de denunciar e, por isso, inventava desculpas toda vez que era agredida. O cunhado da vítima, Antônio Aparecido dos Santos, diz que ele sempre foi agressivo. "Eles sempre brigavam, várias vezes ela aparecia riscada de faca, apanhava de facão, porque ela contava para a gente."


Para a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, a violência é um "mecanismo de resolução de conflitos" no país.



"Somos uma sociedade em que a violência muitas vezes regula as relações íntimas, que aposta na violência como um mecanismo de resolução de conflitos. Por isso números tão altos de mulheres que sofrem violência física, porque isso faz parte do cotidiano e desde muito cedo" (Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública)






Roseli Lopes, morta após agressões do marido (Foto: Reprodução/TV TEM)




Assédio na rua e no transporte público


"Na Pele" por Elza Soares,com participação de Pitty


Na Pele (part. Pitty)

Elza Soares



Olhe dentro dos meus olhos

Olhe bem pra minha cara

Você vê que eu vivi muito

Você pensa que eu nem vi nada

Olhe bem pra essa curva

Do meu riso raso e roto

Veja essa boca muda

Disfarçando o desgosto


A vida tem sido água

Fazendo caminhos esguios

Se abrindo em veios e vales

Na pele leito de rio


A vida tem sido água

Fazendo caminhos esguios

Se abrindo em veios e vales

Na pele leito de rio


A vida tem sido água

Fazendo caminhos esguios

Se abrindo em veios e vales

Na pele leito de rio


Contemple o desenho fundo

Dessas minhas jovens rugas

Conquistadas a duras penas

Entre aventuras e fugas


Observe a face turva

O olhar tentado e atento

Se essas são marcas externas

Imagine as de dentro


A vida tem sido água

Fazendo caminhos esguios

Se abrindo em veios e vales

Na pele leito de rio


A vida tem sido água

Fazendo caminhos esguios

Se abrindo em veios e vales

Na pele leito de rio


A vida tem sido água

Fazendo caminhos esguios

Se abrindo em veios e vales

Na pele leito de rio


(Leito de rio)

(Leito de rio)

(Leito de rio)

(Leito de rio)

"Parte desfavorecida", redação nota 1000 no ENEM por Anna Beatriz Alvares Simões Wreden



Parte desfavorecida


De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para que esse organismo seja igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, no Brasil, isso não ocorre, pois em pleno século XXI as mulheres ainda são alvos de violência. Esse quadro de persistência de maus tratos com esse setor é fruto, principalmente, de uma cultura de valorização do sexo masculino e de punições lentas e pouco eficientes por parte do Governo.

Ao longo da formação do território brasileiro, o patriarcalismo sempre esteve presente, como por exemplo na posição do “Senhor do Engenho”, consequentemente foi criada uma noção de inferioridade da mulher em relação ao homem. Dessa forma, muitas pessoas julgam ser correto tratar o sexo feminino de maneira diferenciada e até desrespeitosa. Logo, há muitos casos de violência contra esse grupo, em que a agressão física é a mais relatada, correspondendo a 51,68% dos casos. Nesse sentido, percebe-se que as mulheres têm suas imagens difamadas e seus direitos negligenciados por causa de uma cultural geral preconceituosa. Sendo assim, esse pensamento é passado de geração em geração, o que favorece o continuismo dos abusos.

Além dessa visão segregacionista, a lentidão e a burocracia do sistema punitivo colaboram com a permanência das inúmeras formas de agressão. No país, os processos são demorados e as medidas coercitivas acabam não sendo tomadas no devido momento. Isso ocorre também com a Lei Maria da Penha, que entre 2006 e 2011 teve apenas 33,4% dos casos julgados. Nessa perspectiva, muitos indivíduos ao verem essa ineficiência continuam violentando as mulheres e não são punidos. Assim, essas são alvos de torturas psicológicas e abusos sexuais em diversos locais, como em casa e no trabalho.

A violência contra esse setor, portanto, ainda é uma realidade brasileira, pois há uma diminuição do valor das mulheres, além do Estado agir de forma lenta. Para que o Brasil seja mais articulado como um “corpo biológico” cabe ao Governo fazer parceria com as ONGs, em que elas possam encaminhar, mais rapidamente, os casos de agressões às Delegacias da Mulher e o Estado fiscalizar severamente o andamento dos processos. Passa a ser a função também das instituições de educação promoverem aulas de Sociologia, História e Biologia, que enfatizem a igualdade de gênero, por meio de palestras, materiais históricos e produções culturais, com o intuito de amenizar e, futuramente, acabar com o patriarcalismo. Outras medidas devem ser tomadas, mas, como disse Oscar Wilde: “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação. ”

Anna Beatriz Alvares Simões Wreden

Fonte:G1

Em 2017 comemoramos o centenário da arte moderna no Brasil, movimento que teve como pontapé a exposição individual de Anita Malfatti


Seja qual for o contexto, não é preciso ir muito além do dicionário para compreender que a palavra movimento pressupõe uma ação: é sempre a ruptura do estado atual e a busca pelo novo. Busca esta que geralmente é pautada pela curiosidade, pela vontade de explorar o desconhecido e pela sensibilidade e inquietude latentes, os quais fazem artistas atravessarem os tempos.

É o caso da pintora Anita Malfatti (1889-1964), que há cem anos dava o pontapé necessário para que o movimento modernista começasse no Brasil com a Exposição de Pintura Moderna. Em cartaz durante um mês (entre 12 de dezembro de 1917 e 11 de janeiro de 1918), a mostra apresentava o resultado de suas viagens dos últimos anos para a Alemanha e para os Estados Unidos, onde flertou fortemente com o expressionismo alemão e com um estilo de pintar desprendido dos padrões acadêmicos.

Créditos: divulgação

Anita Malfatti, a pioneira do Modernismo no Brasil

A elite cafeeira paulistana da época não recebeu bem este novo olhar, já que detinha uma sensibilidade artística restrita à fiel representação da realidade, não reconhecendo nos traços grossos e cores vibrantes de Anita uma expressão digna de levar o título de arte.


Também pudera, São Paulo vivia um momento muito diferente das capitais europeias: a independência de Portugal havia acontecido há apenas cem anos, período curto historicamente falando. De acordo com Maria Inês Santos Duarte, professora de história da arte na PUC-SP, não se conhecia muito sobre arte porque não havia onde expor as obras. “Não havia nada muito organizado no sentido de poder conhecer uma coisa diferente. Não tinha infraestrutura. E por isso a exposição da Anita foi interessante, porque apresentou um conjunto de obras que foram muito radicais do ponto de vista da linguagem que se estava acostumado aqui, de uma maneira muito intensa”.

Ao mesmo tempo que este estranhamento pairava no ar, culminando em telas vendidas sendo devolvidas e a famosa crítica negativa deMonteiro Lobato (1882-1948) - o artigo “Paranoia ou mistificação?” escrito para O Estado de São Paulo, foi como se os artistas inquietos levassem um chacoalhão e passassem a se articular para deixar florescer a arte moderna no Brasil.


Créditos: Romulo Fialdini

"Grupo dos Cinco", de 1922, pintado por Anita, retrata ela e os amigos da época: Tarsila do Amaral, Menotti del Picchia, Mário de Andrade e Oswald de Andrade

A exemplo de Mário de Andrade (1893-1945) e Oswald de Andrade(1890-1954), que frequentaram a exposição diversas vezes e foram firmes no contraponto às duras críticas de Lobato. Segundo Maria Inês, tal embate foi significativo para que artistas que não tinham oportunidade de mostrar seus trabalhos dialogassem, se organizassem e, cinco anos depois, realizassem a icônica Semana de Arte Moderna de 22.

A Semana explorou as mais diversas linguagens artísticas e lançou expoentes como Di Cavalcanti (1897-1976), Menotti del Picchia (1892-1988), Manuel Bandeira (1886-1968) e Villa-Lobos (1887-1959), entre outros. Inicialmente marcado para acontecer entre 11 e 18 de fevereiro, o evento ocorreu no Theatro Municipal de São Paulo apenas nos dias 13, 15 e 17 do mês, explorando, em cada um deles, uma vertente: pintura e escultura, literatura, e música, respectivamente.

Homenagem a Anita

Merecidamente, em 2017 a pintora foi tema: Anita Malfatti: 100 anos de arte moderna no Museu de Arte Moderna, localizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A mostra foi dividida em três etapas de sua produção com cerca de 70 obras que apresentaram a versatilidade de seus traços, referências, momentos e suportes - da aquarela ao óleo sobre tela, passando pelos esboços de corpos nus em carvão.


Créditos: Rafaela Piccin

Museu de Arte Moderna no Parque do Ibirapuera, em SP

Segundo Regina Teixeira de Barros, curadora da mostra, “quando a exposição de 1917 foi criticada negativamente por Lobato, outros pontos também estavam em jogo: o fato de ela ser mulher [se hoje em dia é difícil ter espaço e reconhecimento, imagine à época], de não pertencer a uma classe econômica privilegiada, e por conta de ser destra e possuir uma atrofia na mão direita. Ela foi tida como coitadinha, vítima. Mas como pensar que uma mulher nas décadas de 10 e 20 viajava, falava várias línguas e não se acomodava fosse frágil?”.

"A Chinesa" (1922)

Pensamento do dia: santo e profano


"E a meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, 
e o farão discernir entre o impuro e o puro.

Ezequiel 44:23

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Atualidades para vestibulares e ENEM

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